Matera: de cidade esquecida a jóia da Basilicata

Passagem de ano: três palavras que são um motivo de stress para muita gente. Onde passar? Com quem? Como dizer que não a aquele convite? “Não, desta vez não vai ser assim. Este ano vamos para fora”. Desde criança que não passava uma passagem de ano fora (foi com os meus pais, na Suíça) e era preciso decidir qual o destino.

Depois de um ano intenso, com algumas viagens feitas (Japão, Zanzibar, Copenhaga) e com a condicionante de já não ter muitos dias de férias, optámos por um destino europeu, Itália, até porque o orçamento não era muito generoso para grandes viagens. Felizmente tive a sorte de ter dois bons “patrocínios” para esta escapadela de inverno: os voos foram-nos oferecidos em vouchers Ryanair como prenda de casamento e o aluguer do carro foi-me disponibilizado pela GoCarRental.pt, um site de pesquisa das melhores rent-a-car em todo o mundo.

Voámos até Nápoles, uma cidade com uma grande personalidade mas com gentes de feitio, digamos, “especial”, bastante directos e sem grandes “rodriguinhos”, por vezes a roçar a rudeza e mal-criação (opinião com base na experiência de apenas um dia e meio, que sei não ser muito para avaliar a gente de uma cidade, mas que arrisco a fazê-lo na mesma). Nápoles era apenas o ponto de partida; o destino estava a algumas centenas de quilómetros dali, no interior-sul de Itália – a cidade de Matera, na província de Basilicata.

Longe da azáfama das grandes cidades, Matera é o tipo de sítio que mais me agrada: suficientemente pequena para se ver em poucos dias, mas não demasiado pequena que ao segundo dia já se está aborrecido. Matera é habitada desde os tempos pré-históricos, altura em que as tribos trogloditas se instalaram nas suas caves esculpidas nos montes calcários, e durante anos foi negligenciada pelos italianos, que a consideravam um sítio de ruas sujas e pobres, sem interesse. Mas nas últimas décadas Matera ganhou outro estatuto, sobretudo após a descoberta dos grandes estúdios de Hollywood (foi aqui que foi filmado, por exemplo, o filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson). Agora é vista como a jóia de Basilicata e, para além de já ter sido classificada como Património da Humanidade, em 2019 vai ser a Capital Europeia da Cultura.

Passámos quatro dias em Matera, tempo suficiente para explorar com toda a calma as suas “sassi”, os incríveis núcleos de construções calcárias, muitas delas subterrâneas. As principais sassi são a Sassi Barisano (a mais espectacular) e a Sassi Caveoso (com muitas casas em ruínas ainda). É nas sassi que está a alma de Matera e é onde se concentram quase todos os pontos de interesse da cidade, mas não quero revelar demasiado, quero somente espicaçar-vos a curiosidade. Vejam as fotografias e percebam porque Matera foi uma agradável surpresa. A regressar!