O retiro

We have become human doings rather than human beings. Slow down, you’ll go further than you’ve ever imagined
– Satish Kumar, No Destination – 

Tinha uma semana para passar “em retiro”, sozinho e longe da efervescente Marrakech. O deserto não era uma opção – Marrocos em Agosto é um forno. As montanhas do Atlas foram a escolha natural e a altitude do vale de Mizane, a 1740 metros, permitia-me fugir ao calor abrasador da planície. A aldeia de Imlil foi o meu refúgio das alturas, no sopé da maior montanha do Atlas e de todo o norte de África: o Toubkal.

O táxi, vindo de Marrakech e partilhado com um grupo de marroquinos, chegou apenas até ao fundo do vale. Para chegar a Imlil é preciso ir a pé ou de mula. Até ao meu albergue mais um trilho ainda, íngreme, de terra batida. Cheguei ao meu refúgio para uns dias de paz merecida. Aqui não há carros, televisão ou rede de telemóvel. Há internet, cada vez mais o bem essencial primordial em todos os cantos do mundo.

Os meus dias fazem-se de caminhadas pela montanha ao amanhecer, leituras durante a tarde e uma passagem pela aldeia ao início da noite, para comprar pão. Acordo todos os dias com o “call to prayer” islâmico. Cada aldeia do vale tem a sua mesquita, com o seu minarete característico e o seu chamamento distinto. Com uma sincronia absoluta (todos os dias às 5.33, 6.59, 13.36, 17.14, 20.12 e 21.34) a melodia de todos os chamamentos ecoa pela cordilheira do Atlas durante largos minutos e traz-me sempre uma sensação de calma inesperada.

Paz. Era só isso que queria. Regressei com energias recuperadas e muitas fotografias de uma região lindíssima. Aqui ficam as melhores.

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