Stone Town: ao ritmo do polepole

Cheguei a Zanzibar com baixas expectativas em relação a fotografar o país. Vinha em lua-de-mel e, apesar de férias normalmente significarem para mim fotografar, fotografar, fotografar, desta vez tinha de refrear o ímpeto de querer andar sempre de câmara na mão. Uma lua-de-mel em Zanzibar deveria ser uma jornada de verdadeiro ócio: uma rede para dormir com vista para o mar azul-turquesa do Índico, um mojito na mão e muita praia, numa sucessão de dias ao ritmo swahili do polepole (com calma).

Durante duas semanas tive tempo para tudo isso, mas foi impossível guardar a câmara quando a simpatia genuína reina nesta ilha maravilhosa, ainda para mais quando uma das minhas ideias era entregar fotografias impressas aos locais. Nas próximas semanas irei publicar alguns dos momentos que vivi na Ilha das Especiarias. A primeira paragem foi Stone Town.

Diz-se que a maioria das cidades africanas não prima propriamente pela beleza em termos arquitectónicos, mas Stone Town, a “capital” da ilha de Unguja (conhecida simplesmente como Zanzibar), é um caso à parte. Em tempos um dos principais entrepostos comerciais (incluíndo comércio de escravos) de toda a África, Stone Town foi durante séculos uma cidade disputada entre nações e impérios.

Os primeiros europeus a chegarem a Zanzibar foram precisamente os portugueses (1503 a 1700), uma ocupação que não nos orgulha propriamente, já que o nosso principal interesse era o tráfico de escravos. Ali construímos o principal edifício da cidade, o Forte Velho. Pouco resta do forte original. Os invasores seguintes, comerciantes do Sultanato de Oman, chegaram nos seus dhows (barcos típicos) e trataram de o deitar quase todo abaixo, adaptando-o ao novo estilo árabe. Depois chegaram os britânicos, cuja principal marca é a famosa House of Wonders, um palácio que que ganhou o estatuto de “maravilha” por ter sido o primeiro edifício da ilha a ter electricidade. A independência de Zanzibar veio em 1964, mas foi fugaz: durou menos de 4 meses. Em Abril desse ano o arquipélago uniu-se ao território continental vizinho, Tanganyika, formando a actual Tanzânia, onde mantém um estatuto semi-autónomo.

Para além de influência africana, árabe e europeia, Stone Town tem ainda muitos elementos de origem persa e indiana, tornando-a numa cidade surpreendentemente agradável de se visitar. Reservei três para deambular pelas ruelas estreitas, bazares, mesquitas, esplanadas, cafés e até escolas do centro histórico de Zanzibar, onde encontrei gente incrivelmente afável e fotogénica. Estes foram os retratos que trouxe da cidade.