Sri Lanka: passagem de ano abençoada

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Acabei de chegar de uma passagem de ano no Sri Lanka. Sabia à partida o tipo de país que ia encontrar. Recentemente estive no sul da Índia, na província de Kerala, muito próxima do antigo Ceilão, e as paisagens, cultura, comida e ambiente geral são algo semelhantes. Há quem lhe chame a Índia “Lite”, por ser mais “fácil” e suportável, com menos gente, menos confusão. Regressei surpreendido pela positiva e ciente do porquê do Sri Lanka ser considerado um dos destinos do momento. As paisagens, templos e cidades são magníficas, mas são sobretudo os sorrisos que trago na memória.

Escolhi como local para a noite de passagem de ano a vila de Kataragama, um local sagrado para hindus e budistas. O deus Kataragama é uma divindade venerada pelos cingaleses, que lhe pedem saúde e felicidade através da chamada “puja”, um ritual que inclui a oferenda de comida, sobretudo fruta.

Naquela noite de passagem de ano os templos acolhiam uma multidão de crentes, que pediam desejos neste dia especial, murmurando rezas enquanto projetavam cocos ao chão, partindo-os com aparato, para depois irem acender velas junto aos templos.

O espírito era de festa, mas uma festa espiritual, contida, muito diferente das passagens de ano no Ocidente. Assim que chegou a meia-noite fui para o hotel. É que marcara para as cinco da manhã um “safari” no Parque Nacional de Yala, a poucos quilómetros de Kataragama.

Entrei no jipe ainda ensonado, mas depressa despertei graças à tortura de uma hora aos saltos dentro da viatura que percorria caminhos esburacados.

Valeu a pena fazer este “safari” no Parque de Yala pela experiência em si, de penetrar numa reserva protegida sem construções humanas, de ouvir o som da selva, de ver alguns (poucos) animais, como búfalos, veados e macacos. Mas o ponto alto do passeio aconteceu quando avistámos os elefantes, ao longe, a cruzarem pastos ensopados, indiferentes ao nosso olhar.

Nunca tinha visto elefantes no seu ambiente natural. Talvez tenha sido o deus Kataragama a abençoar-me com aquela visão de elefantes selvagens. Que ótima forma de começar 2019!


3 Comments

  1. Lindas imagens e belo texto sobre essa experiência inspiradora. Parabéns Gabriel!

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